Friday, February 22, 2008

Branco e Preto

Menina colorida. Conheci uma menina colorida uma vez. Ela sim, sabia como ninguém estar em qualquer lugar se divertindo. Sorria para o mundo, para que o mundo sorrisse para ela, como uma troca de sentimentos. Sua euforia incansável e contagiante transbordava pelos olhos o que fazia com que não passasse despercebida. Ali ela não podia parar, não parava para não perder tempo de viver, não parava e mal respirava para aproveitar o máximo que podia de tudo que lhe era possível. Era como se sempre lambesse a panela de brigadeiro quente. Queria o melhor e sabia que estava ali, ao alcance dos dedos que por fim acabariam lambuzados e com gosto de quero mais. Na verdade, bem no fundo ela não parava para não ter que pensar, não parava para não ficar sozinha entre milhões de pessoas. Só depois, descobri que a mesma menina não tinha cores, era sim branco e preto.. nada mais. E tudo vivenciado era uma doce ilusão necessária criada por alguém que precisa amenizar a dor e o sentimento de um coração que já não bate mais na mesma intensidade. Esse tempo todo, o seu sorriso faz com que ela se cubra e brinque de marionete com ela mesma, e se engane de utopias enquanto que por dentro chora em silêncio e se desfaz, aos poucos, ficando pendurada apenas pelas linhas de náilon que a suportam.

Hoje sei que ela está tentando ver e vivenciar cores de novo.



(ei menina.... chorar no silêncio ou chorar para todo mundo ouvir... não faz diferença)
para ana

Friday, February 15, 2008

Nem assim.

Quisera eu sofrer de perda de mémoria,
apagaria os momentos e sentimentos aqui comigo e só assim,talvez...
tudo ficaria mais fácil se eu não lembrasse tanto de você.

( o tempo todo).

mas acho que nem assim.

Wednesday, February 6, 2008

Vento.

Só há vento para quem sabe voar.

De uma coisa fique certa, menina

Ela já não aguenta mais tudo.
Quer sumir. Começar tudo de novo, como se nascesse de novo e pudesse ser quem realmente era desde o ínicio.
Precisa sentir de novo a sensação rápida que teve quando tudo era perfeito.
Mas não tem isso hoje. Agora não. Só prevalece o medo e as dúvidas constantes que aqui permanecem.
Ela está só.
Tem que se encontrar de novo com ela mesma. Não adianta cercar-se de "atos insanos" para um conforto momentâneo em sua vida. Deve sim, encarar de frente tudo isso, assumir para todo mundo que ainda não esqueceu e que insiste inutilmente em dizer que é passado. Não. Continua presente. E deve assumir isso para ela própria, mesmo sabendo que é passado na vida da outra pessoa por quem chora agora as lágrimas salgadas de quem deixou a chance escorrer por entre suas mãos.

Não menina, de que adianta mudar por fora se por dentro você ainda é a mesma?
Mude por você e para você.

De uma coisa fique certa, menina. Tudo vai se acertar.

Tuesday, January 29, 2008

Delicado essencial

Tanta coisa pra dizer
tantos sentimentos confusos e utopias piratas
tantas decisões tomadas como um susto

mas me faltam as palavras para colocar aqui
queria tudo sem palavras
falar pelos olhos que aqui expressam a inquietação diante de tudo isso
me falta o delicado essencial

amanhã comprarei um dicionário.

Tuesday, December 25, 2007

Entrelinhas

Escrevo como forma de alívio. Se escrevo bem ou mal.. pouco me importa. É o jeito de colocar para fora de alguma forma o que sinto de tão inexplicável. Dores, esperanças, devaneios. Escrever é como um suicidio, mas sem o final trágico.

Escrevo para expressar o que não tive coragem de dizer. Talvez nunca devesse mostrar meus textos para ninguém... assim eu pareceria menos covarde aos meus próprios olhos e me sentiria melhor.

Fica jogada no ar a esperança de quem quer que leia, consiga interpretar tudo o que as palavras e frases choram desordenadamente em suas entrelinhas.

Monday, December 17, 2007

Oco.

Hoje acordei sentindo falta.
Rompendo a promessa feita a mim mesma de que não teria mais esse sentimento. Por isso escrevo agora.. para aliviar as coisas que já não posso te dizer.
Em meio a adeus a sorte, sorrisos, invasões, tempo a passar, ilusão de recomeçar, esperar em vão.. só me resta falar ao meu sonho incapaz de ouvir.
Como posso sentir essa dor se meu peito está vazio? Saudade é um sentimento contraditório. Por isso não tem que o explique. Só sentir.
Saudade de você que nem se lembra mais assim.
Saudade do prazer de descobrir a cada dia um pouco das suas manias bobas, mas lindas, e utopias roubadas para mim sem sua permissão.
Saudade do seu cheiro que não posso mais sentir, a não ser em outras pessoas.
Saudade da coragem momentânea de te mandar flores como um último pedido aflito de uma pessoa que nada tem mais a perder.
Falta da agonia que embolava a boca do estômago ao ouvir repetidamente a música que me lembrava você nos ouvidos que não esqueciam a sua voz. Ficam apenas as lágrimas repetidas agora.
Saudade de sentir a aflição gostosa que era sentir saudade.
Te olhar sem você perceber e ver muito além. Decorando seus movimentos sem querer.
Saudade das brigas insanas e tolas.
Saudade dos minutos eternos que insistiam em não passar quando se aproximava a hora de te ver...
Saudade de mim quando estava com você e me permitir.



Saudade das memórias inventadas de um futuro que poderia ter sido.





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(babe. obrigada pela frase.)